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No Dia Internacional da Juventude damos a conhecer o filme

“Rosa dos Ventos”

“Rosa dos Ventos” pretende constituir uma estratégia de promoção da Marca do Património Europeu, projeto ainda relativamente recente, e no qual o Promontório de Sagres se integra.

A Marca do Património Europeu (MPE) destaca sítios patrimoniais de particular relevância para a História e Cultura Europeias e tem como principal objetivo criar um sentimento de pertença à União Europeia e de partilha de um conjunto de valores comuns, principalmente entre os mais jovens. Para mais informações sobre a MPE consulte : https://www.ehl-network.eu/european-heritage-label/

O Promontório de Sagres, reconhecido em 2015, como Marca do Património Europeu, apresenta uma paisagem patrimonial complexa e são várias as razões para apresentar esta distinção. Para além de ter sido o local, desde há muito, associado à génese da exploração marítima patrocinada por Dom Henrique, este é um território, que encerra um conjunto muito particular de sítios patrimoniais, de particular relevância em contexto europeu. Finisterra cuja forte dimensão sagrada- religiosa assumiu diferentes formas, ao longo do tempo.

São vários os escritores da Antiguidade que se referiram a este território e à sua religiosidade pagã, tal como o grego Estrabão (século I a. C.), que nos informa que:

“Não é permitido oferecer sacrifícios nem aí pernoitar, pois dizem que os deuses o ocupam àquelas horas. Os que o vão visitar pernoitam numa aldeia próxima, e depois, de dia, entram ali levando água, já que o lugar não o tem.”

 

Séculos mais tarde, o autor latino Rúfio Festo Avieno (séc. IV d. C.) descreve-nos este cabo, da seguinte forma:

“Então, lá onde declina a luz sideral, emerge altaneiro o Cabo Cinético, ponto extremo

da rica Europa, e entra pelas águas salgadas do Oceano povoado de monstros.”

“um promontório, que assusta pelos seus rochedos, também ele consagrado a Saturno. Ferve o mar encrespado e o litoral rochoso prolonga-se extensamente”.

 

No século XII, o geógrafo árabe Al- Idrisi, menciona a mítica Igreja do Corvo, importante local de culto e peregrinação cristã e moçárabe, e da lenda que nos diz, como os corvos, as aves protetoras das relíquias de São Vicente, anunciavam todos peregrinos que aqui vinham prestar a sua devoção.

 

A vocação mágico - religiosa deste território não se perdeu com o tempo, pois, mesmo ainda no final do século XIX, Leite de Vasconcelos, no seu Religiões da Lusitânia, diz-nos que:

 

“Em todo o Cabo, ninguém dúvida que as pedras do Promontório tinham significação mágica (…). No extremo do Cabo, perto do pharol e das ruínas do convento de S. Vicente, há vários montículos de pequenas pedras, que o povo chama moledros (…).  A propósito d`esses moledros colhi da boca do povo as duas seguintes noticias:

  1. Quando se leva do moledro uma pedra, e se deixa num sitio, ahi a pedra anoitece e não amanhece: e isto é, vae-se de manha ao sitio em que à noite se deixou a pedra, e esta já lá não está, e reapparece no moledro; é D. Sebastião que de noite retira a pedra pa`a o moledro.
  2. Quando se leva do moledro uma pedra, sem ninguém saber, e se colloca debaixo do travesseiro, aparece lá, ao outro dia um soldado, que logo desapparece, para ir outra vez, já transformado em pedra, collocar-se no moledro.”

 

O filme “Rosa dos Ventos” dá destaque a esta Geografia Sagrada. Os mitos, as lendas, os deuses, os rochedos, elementos que evidenciam uma sacralidade, por vezes feita de religiosidade, que esta Finisterra, detém, desde há muito.

O filme “Rosa dos Ventos” foi produzido pela Tertúlia – Associação Sócio Cultural de Aljezur, para o programa DiVaM – Dinamização e Valorização dos Monumentos.

Um especial agradecimento à Associação Internacional de Paremiologia.

Veja o filme

12 de agosto